Apresentada no Salão do Automóvel do ano passado, a Kia Tasman estreia agora no Brasil. A picape média chega com design polêmico e motor diesel potente para inaugurar a participação da marca sul-coreana no segmento.
A caminhonete vai tentar conquistar o agro e, de quebra, 'roubar' clientes das caminhonetes tradicionais, como Toyota, Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10. Será vendida, a princípio, em versão única, chamada GL, de R$ 249.990. A fabricante diz que mais configurações chegarão nos próximos meses - a Tasman é importada da Coreia do Sul.
O design é o grande ponto da picape desde que foi lançada. "A Tasman não nasceu para ser bonita, nasceu para ser lembrada", resume Rafael Delcole, gerente de planejamento de produto e mercado da Kia no Brasil
As linhas são controversas. Na dianteira, o para-choque é dividido em duas seções e a primeira abriga a grade principal. A segunda parte tem linhas bem robustas e traz mais uma entrada de ar. Ousada, a Kia Tasman tem os faróis full-LED alojados nos para-lamas que recebem um acabamento em plástico como 'substituto' das luzes.
De lado, a picape média da Kia tem linhas mais retas nas estampagens das portas. Mas o para-brisa é bem inclinado. As caixas de roda da picape recebem o mesmo acabamento em preto que é visto nos para-lamas dianteiros. Já as lanternas são mais horizontalizadas, mas o arranjo é vertical e parece um "C" invertido. A tampa da caçamba, com sistema de amortecimento, tem o nome Kia estampado em relevo na lataria.
Maior que Ranger e Hilux
A Tasman é maior que as principais concorrentes, segundo a Kia. São 5,41 m de comprimento (maior que Ranger e Hilux) e 3,27 m de distância entre-eixos (maior que a Toyota e igual a Ford). A Tasman ainda traz 1,93 m de largura e 1,87 m de altura.
Já a caçamba tem 1,51 m de comprimento, 1,57 m de largura e 54 cm de altura, sendo capaz de acomodar volume de 1.173 litros. A capacidade de carga é de 1.007 kg. A picape média pesa 2.248 kg.
Os ângulos também são bem parecidos com os dos concorrentes. O de entrada é 28,9º contra 29º da Hilux e 29,9º da Ranger. Já o de saída é de 25º, contra 25,8º da Toyota e 26º da Ford. A distância do solo fica em 23,1 cm. Hilux (28,6 cm) e Ranger (23,4 cm) tem vãos maiores. A capacidade de imersão fica em 80 cm.
Em questão de suspensão, a Tasman vem com eixo rígido e feixe de mola na traseira para priorizar levar mais carga, já que se trata de um conjunto mais robusto que o multilink.
A Tasman chega com a mesma motorização do renovado Sorento. Ou seja, sob o capô está o quatro cilindros 2.2 turbodiesel. Porém, em vez de 194 cv, a picape entrega 210 cv de potência e 45 kgfm de torque. A transmissão é automática de oito marchas e a tração, claro, 4x4 com reduzida.
A força está em um bom patamar frente às principais rivais: Hilux (204 cv e 50,9 kgfm), Ranger (160 cv e 39,1 kgfm) e S10 (207 cv e 52 kgfm). A representante da Ford, vale lembrar, tem versão V6 turbodiesel de 250 cv. O tanque de combustível tem 80 litros e, segundo o Inmetro, as médias ficam em 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada.
Três telas?
Dentro, destaque para tela integrada do painel de instrumentos digital (12,3") e da central multimídia (12,3"). No meio, porém, há um visor que mostra detalhes do sistema de ar-condicionado (5"). Ao todo, são 29,6" em visores.
Há botões físicos para facilitar o manuseio das funções e as saídas de ar têm uma espécie de grade colmeia. Há ainda um espaço de armazenamento embaixo dos bancos traseiros com 45 litros de capacidade.
A Tasman mira Ranger e Hilix, mas deve, no entanto, brigar bem na parte de baixo do ranking de picapes. Importada e sem expectativa de altos volumes, o modelo vai disputar espaço com Nissan Frontier, Mitsubishi Triton, GWM Poer, Ram Dakota e Fiat Titano.
Imbróglio coreano
A operação da Kia Motors no mercado brasileiro pode passar por uma reestruturação profunda. Após 34 anos sob a representação do Grupo Gandini, a matriz sul-coreana estuda reassumir o comando direto no país, englobando a importação, a distribuição e a rede de concessionárias. A informação foi trazida em primeira mão pelo jornalista João Anacleto, do canal A Roda.
O avanço desse plano, contudo, depende da resolução de um entrave histórico envolvendo a Asia Motors, marca incorporada pela Kia nos anos 1970. Na década de 1990, a empresa — conhecida por modelos como Towner e Topic — obteve incentivos tributários para erguer uma fábrica na Bahia, mas o projeto nunca saiu do papel. O descumprimento gerou um imbróglio judicial com a União que já dura mais de duas décadas, acumulando débitos estimados em mais de R$ 6 bilhões em valores atualizados.
José Luiz Gandini, presidente da Kia no Brasil, confirmou a existência das tratativas com o Governo Federal para solucionar o débito da Asia Motors, mas que não há nenhuma novidade em relação ao assunto, que segue indefinido. Segundo o executivo, caso o entendimento seja alcançado, o Grupo Gandini deixará a distribuição nacional e passará a atuar apenas na rede de concessionárias.
Produção local e sinergia com a Hyundai
Como contrapartida para quitar a pendência fiscal, a Kia propõe erguer um polo fabril no Brasil até 2028. A estrutura planejada ficaria ao lado do complexo da Hyundai em Piracicaba (SP) — fabricante com a qual a Kia compartilha o mesmo grupo global. A estimativa é de que a iniciativa gere 5 mil vagas diretas e mais de 15 mil indiretas, com a Hyundai do Brasil assumindo a representação oficial da marca no país.
Se concretizada, a expansão fabril em Piracicaba — site que atualmente produz o i20, a linha HB20 e o Creta — permitirá à Kia produzir veículos em solo nacional de forma inédita, aproveitando a sinergia industrial para reduzir custos operacionais e compartilhar componentes com a Hyundai.